Decidi visitar Hong-Kong e como não sou de mariquices escolhi o Intercontinental Hotel Hong-Kong.
No primeiro dia fui dar uma volta de táxi pelas principais artérias da cidade, caótica, e perguntei ao taxista o que de melhor se podia ver naquela cidade. Num inglês um tanto ao quanto estranho, lá percebi que de entre outras coisas ele recomendava o Museu de Arte de Hong-Kong, onde era regular realizarem-se exibições de obras de Fundações de vários artistas de renome.
Pedi para me levar lá e é então que me surpreendo com a beleza do edifício. Não é fácil superar o Guggenheim de Nova Iorque, muito menos o de Bilbau de Gehry, mas este não lhes fica atrás.
De entre muitas exposições lá realizadas destacam-se as de Renoir, Dali, Van Gogh, as promovidas pela Fundação Picasso e a que estava a decorrer, the last but not the least, Cézane!Feita a identificação à entrada dirigi-me para o detector de metais, mas como estava do outro lado do mundo, os ocidentais não passam despercebidos, fui para a máquina de raio-x em que não era um “chinoca” a vigiar, era um inglês, pude constatar.Conversa para a frente, conversa para trás, ele disse-me que havia uma mulher italiana que fazia segurança às obras daquele museu.
Quando a encontrei não vi nenhuma obra de arte a que ela pudesse fazer vigilância, ela é que devia ter segurança a vigiá-la.
Que monumento!
Nem a farda que vestia me enganava.
Não resisti. Como estava no fim do mundo e não tinha nada a perder, esperei pelo final do turno da italiana.
Quando ela saiu fui ter com ela e apresentei-me (_______ das carícias, alguns percebem o significado).
Ela ficou contente por encontrar um latino europeu e foi naquela altura que me apercebi que Portugal e Itália até são países vizinhos!
Ela chamava-se Francesca, uii…
Combinamos ir tomar uma bebida a um tasco agradável e ela recomendou o La Dolve Vita na Rua Lan Kwai Fong. Mesmo a calhar.
De entre os vários capuccinos que existem (não há só um tipo) escolhi um de cevada e um dolce para lanchar.
A Francesca era natural de Roma e era apreciadora de arte. Tinha trabalhado como conservadora no Museu Nacional de Roma e contou-me que a melhor forma de estar mais perto das obras do Museu de Arte de Hong-Kong era ser vigilante de obras, visto que é praticamente impossível pertencer ao quadro de funcionários do Museu.
Ela tentou entrar para a empresa multinacional de vigilância e não foi difícil conseguir, visto que o seu perfil e curriculum eram altamente recomendáveis.
Como também gosto de cultura sob a forma de pintura ou escultura e também de Itália, a nossa empatia e afinidade foi imediata.
Ela era bella, la piu bella ragazza del’Hong-Kong. Uma típica italiana.
Dali fomos para o Island Changri-la Hotel, onde ela estava hospedada.
Pelo que me contou era um hotel de eleição, com música ao vivo e quartos assinados por estilistas, designers, etc. O dela era da autoria do arquitecto Jean Nouvel. Naquele fim de tarde e durante a noite havia free-jazz na sala principal do Hotel (era uma semana dedicada ao Jazz).
A empatia era cada vez maior.
Convidei-a para dançar e, como o free-jazz não é lá muito bom para dançar, para mudarmos de sala. Fomos para uma secundária, mais acolhedora, onde era tocado soft-jazz, com voz, piano e saxo. O ideal.
Estava a ficar “ligado” nela.
A bambina, a certa altura, convida-me a subir ao quarto dela. Aí vi que ela também queria o mesmo que eu.
Não sendo suficiente aquele hotel ser o mais alto de Hong-Kong, o quarto dela era no último andar (no terraço)! Fiz rapidamente as contas, 57º andar, elevador a +/- 1,2m/s, ou seja, cerca de 3 ou 4 minutos até lá chegar.
Ela sabia tanto como eu que a viagem ia ser longa.
Mal a porta se fechou, o braço que ela tinha no meu saltou-me para o pescoço e agarrou-me de tal maneira que fui beijado como nunca tinha sido.
Quando saímos do elevador já estávamos completamente descompostos e descontrolados.
Entre a entrada no quarto e o momento em que acordei só vos digo que foi sexo magistral. Único!
(Se gostarem da história, talvez conte o que se passou entretanto)
Quando acordei, realmente não sabia onde estava. Ainda estava em êxtase.
Não sabia o que estava ali a fazer deitado, nu e num sítio que mais parecia uma sala de museu. Aquela decoração do quarto parecia mesmo um museu. Até um quadro de Salvador Dali tinha!Olho para o meu relógio e vejo que são 15:12, mas… está escuro?! Ah! Nem acertei a hora local, na realidade são 23:12.À minha volta não vejo nada. Espreito para debaixo da cama e vejo escondida uma camisa branca, meias de Lycra a 8/10, boxers de seda, meias pretas, uma tanguinha cor-de-rosa, um blazer, um soutien rendado, uma blusa e uma saia. Algumas coisas eram minhas, e as outras? Pois, aquela tanga cor-de-rosa não deixava margem para dúvidas, era da ragazza italiana!
Agora sim, sei onde estou. Mas não sei onde ela está. Foi embora?
Não, o quarto era dela.
Procurei-a e através de uma vidraça vi-a numa piscina contígua ao quarto a tomar banho. O bronzeado mostrava a latinidade da Francesca.
Quando chegou ao pé de mim disse-me algo que não percebi, excepto o meu nome, e beija-me profunda, deliciosa e (acho) apaixonadamente. Foi demais.
Mais tarde, quando já estava novamente com ela, mas em Itália, na Piazza Navona, perguntei-lhe o que me tinha dito naquela noite que eu não tinha percebido nada. Ela disse-me que, por ter estudado na Sicília aprendeu a falar siciliano, um italiano com uma pronúncia muito carregada, ao estilo do catalão. E então tinha-me sussurrado: “Se tivesses uma alcunha eras o Ricardo das carícias. Obrigado!”
P.S.: Se isto não aconteceu, podia ter acontecido. Mas será que não aconteceu mesmo?