O corpo que se dirige em minha direcção entoa palavras que não consigo decifrar…
Estou tão confusa que não sei se o problema é da língua ou eu é que ñ consigo assimilar. Tudo em meu redor apresenta luxúria e um classe ao qual eu nunca tive acesso, a não ser pelas revistas cor de rosa… Estou imóvel, inerte, olhando com ansiedade e desejo o homem, o vulto, que se dirige a mim…tento pensar, mas o meu cérebro não esta activo, só me tenho uma frase em mente: “ se penso logo existo”, ou seja não consigo pensar logo isto é um sonho, não é real. O vulto está cada vez mais próximo, consigo ver alguns traços, aparenta alguma idade, na casa dos 35, a pele queimada do sol, um corpo tratado e definido. O meu desejo começa a dispara numa ansiedade de tocar naquele corpo. Não compreendo porque me sinto assim, começam a surgir as perguntas, quem é? Conheço? De onde? Como?
- Bom dia – diz-me o vulto sorrindo e numa voz rouca mas meiga, ainda a alguns passos de mim…
É incompreensível a reacção do meu corpo a um homem que a meu cérebro não reconhece, a língua já parece familiar, soa a espanhol mas não o é…
Com uma naturalidade e confiança abraça-me percorrendo as minhas costas nuas, o toque dele faz-me sentir bem, como se já o conhece-se e ele o meu corpo. Envolve-me loucamente, e como anestesiada sem noção do factor tempo volto a sentir o macio dos lençóis, o cheiro dele que me apazigua, os nossos corpos, o cheiro do mar, acaricia-me como se me idolatra-se, como se fosse uma obra…Dejávu é a sensação que em tenho…mas quem é? Como é possível ter este desejo, estar com este a vontade, não quer sair daqui, de um sitio que nem sequer sei onde é, como vim parar, com quem estou?? Ate que ponto damos demasiada importância ao “ter de conhecer primeiro”, ao “dar tempo ao tempo”, ao que faz da vida? ao seu passado?!! Porque que damos tanta importância a pequenos pormenores ? Nunca estive assim, , sinto prazer com ele e uma atracão inexplicável, afinal não é com isto que sempre sonhamos, um homem rico, um local paradisíaco…
Tenho medo de lhe fazer perguntas, de sair deste sonho… ganho coragem e com uma voz melódica e acariciando-o perguntei-lhe apenas onde estamos, a qual me respondeu que estamos no Guatemala, numa aldeia. Atrevo-me, de face corada, a perguntar como viemos cá parar. Ele calmamente como se soubesse o porque que estava fazendo as perguntas explicou-se usando uma certa ironia – pois, o álcool por vezes tem esse efeito nefasto de não nos deixar lembrar de certas coisas, nem sequer as melhores. Durante a festa do Artur…
Quando mencionou o nome Artur, foi como um clique na tecla iniciar, Artur/Cascais/Ruy/Victoria/Rocha/Pedro/Miguel/Ana …foi um rol de pessoas amigas que vieram à mente….mas deixei-o prosseguir.
- Estávamos a conversar sobre a vontade que as pessoas têm de dar uma escapadela e fugirem para outro local, tu expressas-te uma vontade de sair dali, que quando te propus passares a noite comigo não conseguiste recusar…
Depois da tecla iniciar o arranque foi quase perfeito, o meu cérebro começou relembrar dados: este homem é tio de um amigo, chama-se Lourenço, houve uma química, e mais ainda ñ posso dizer, pois o pedido ainda esta em processamento …
Este homem, continua-me a envolver-me a mostrar-me as suas coisas, a pequena aldeia onde estamos, perco a noção do tempo, dos dias…vivo o momento…
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
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